A Rosa Do Deserto
Perdoe-me, ardente rosa do deserto. Fui condenada a dançar na chuva para que meu campo florescente se alimentasse de vida já que todas as rosas dançavam em sincronia, menos você.
A rosa continuou frágil com o sopro mortal da sua Indelicada solidão, a mesma que chamava de morte.
Em minhas mãos estava amargando, depois do seu perecimento o meu relógio continua parado, hoje é segunda e permanece sendo segunda.
Eu seguirei em frente e você ainda estará aqui a me culpar.
Eu seguirei em frente e você ainda estará aqui a me culpar.
Cada minuto dessa mágoa faz meu oceano interno ser novamente preenchido pelo nada que me tornei.
- Mas acredite, irá chover de novo.
- Mas acredite, irá chover de novo.
A verdade é que eu depositei a cada dia um demasiado copo do meu farto oceano e com isso, de copo em copo, de gota em gota, acabei me tornando vazia.
Ainda assim você persistiu em permanecer desidratado e isso me deixou ofegantemente exausta.
Ah, maldita rosa do deserto, por que me traístes com um sorriso antes de se entregar a sua morte?
Hoje me escondo da dor da sua partida que Insiste em me carregar, até que eu diga basta minha pele continuará a arrepiar-se por lembrar do seu perfume.
- infelizmente hoje ainda é segunda.
- infelizmente hoje ainda é segunda.
Me deleito ao tentar te cultivar de novo com meu pulso pulsante pois com minhas delicadas mãos te alimentei do meu medo de sugerir que você ainda estivesse viva.
Como eu continuaria a dançar imaginando a maneira que você respira?
Você costumava ser a rosa mais perfumada do meu jardim me trazendo as borboletas que rondavam em meu estômago toda noite... rosa do deserto, quem diria que você era verão em meu inverno?
Você costumava ser a rosa mais perfumada do meu jardim me trazendo as borboletas que rondavam em meu estômago toda noite... rosa do deserto, quem diria que você era verão em meu inverno?
Vi suas pétalas sendo carregadas pelas borboletas para o mais alto do céu onde eu jamais suponho que você estaria, porque ainda sinto seu verão em mim.

"Rosa Do Deserto" foi a primeira obra que me cativou diante da sua poesia.
ResponderExcluirÉ sem dúvida uma arte em forma de expressão textual, gosto da forma que utilizou muito bem uma variedade de palavras.
É perceptível a exaustão diante da situação em que se encontra a autora, após se cansar de tanto ter que doar da sua própria fonte para alguém que insistia em permanecer seco, sem vida, se entregar à morte.
Dessa vez se sente preenchida, porém preenchida de vazio pelo nada que se tornou... poético.
Vale ressaltar que a expectativa de acreditar que vai chover de novo é o ponto do texto que tempera a angústia com uma pitada de esperança que muda totalmente o sabor do prato.